Adolescente de 13 anos morta após desafio virtual teria sido vítima de organização criminosa, aponta investigação

Redação
Por
3 Minutos de leitura

A investigação sobre a morte de uma adolescente de 13 anos, ocorrida em Mato Grosso do Sul após a participação em um desafio virtual, ganhou novos desdobramentos. Segundo a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), o caso deixou de ser tratado apenas como um possível suicídio e passou a ser investigado como homicídio qualificado praticado por uma organização criminosa que atuava no ambiente digital.

De acordo com a delegada Anne Karine, responsável pelas investigações, a adolescente teria sido alvo de um grupo especializado em recrutar crianças e adolescentes por meio da internet. A vítima, conforme a autoridade policial, foi submetida a um intenso processo de manipulação psicológica, tornando-se uma espécie de “escrava virtual”, situação que ocorre principalmente com meninas.

As investigações revelam que os criminosos utilizavam perfis falsos em redes sociais, assumindo identidades fictícias, com imagens, nomes, idades e até gêneros diferentes dos reais, para conquistar a confiança das vítimas. Após o primeiro contato, os adolescentes eram direcionados para grupos fechados e plataformas controladas pela organização, onde passavam a sofrer ameaças, chantagens e pressões constantes.
Segundo a polícia, os integrantes da organização buscavam conhecer detalhes da rotina das vítimas, informações sobre familiares, amigos e ambiente escolar, utilizando esses dados para exercer controle psicológico e obrigá-las a cumprir desafios e ordens impostas pelo grupo.

A investigação foi iniciada após o Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) identificar a repercussão do caso nas redes sociais no dia 22 de julho e encaminhar as informações à DEPCA.

Durante as diligências, a polícia identificou cinco adolescentes e um adulto suspeitos de participação na organização criminosa, todos localizados em diferentes estados brasileiros. A Justiça recebeu pedidos de prisão preventiva do investigado maior de idade, medidas socioeducativas de internação para os adolescentes envolvidos e mandados de busca e apreensão.

Os suspeitos poderão responder por organização criminosa e homicídio qualificado. Além disso, a polícia apura se o grupo também possui ligação com crimes de maus-tratos contra animais, prática que estaria relacionada às atividades desenvolvidas pelos investigados.

Outro detalhe revelado pela investigação é que esses grupos criminosos se identificavam internamente pelo nome de “panelas”, expressão utilizada para designar comunidades fechadas que atuavam na manipulação e exploração psicológica de adolescentes.

A Polícia Civil alerta pais e responsáveis para que acompanhem de perto a atividade dos filhos na internet, conversem sobre os riscos das redes sociais e denunciem qualquer comportamento suspeito às autoridades competentes.

Redação: O Repórter Nacional News
Foto: Aquidauana News

Marcadores
Compartilhe este artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *